
Lembram dessa imagem? Foi a foto promocional da chegada. Hoje, se não podemos dizer que o Ronaldinho Gaúcho seja o único responsável pelo terrível momento vivido pelo futebol rubro-negro, sem dúvida é o principal. Talvez por essa razão se repitam as notícias de rescisão do seu contrato com o Flamengo. Rumores internos ou consultas do irmão-empresário a especialistas, o assunto vem ocupando a mídia quase diariamente há algum tempo. Desde a contratação desse ex-jogador em atividade me manifesto contra nesse espaço democrático. Isso não me impediu de elogiá-lo raríssimas vezes, quando merecido. Minha insatisfação cresceu, chegando à máxima intolerância e aqui exerço um direito inalienável de todo rubro-negro.
Quando o Ronaldinho Gaúcho libertará o Flamengo do seu jugo, dessa relação prejudicial e onerosa? Se considerarmos todos os aspectos relevantes dessa contratação, o mais importante deles reside no fato de que o jogador caminhava para o ostracismo no Milan, onde amargava a reserva em consequência de sucessivas atuações medíocres. Diga-se de passagem, a decadência começara no Barcelona, bem antes disso. O Flamengo apareceu como salvação para esse náufrago do futebol, ofereceu o Manto Sagrado como símbolo de recuperação, resgate de prestígio e maior vitrine para seu nome. Mais ainda, sem qualquer prova, entregou a um recém-chegado a braçadeira de capitão e o recepcionou com honras de ídolo de primeira linha.
Muito mais do que contratá-lo com cifras europeias, o Flamengo lhe abriu os braços da maior torcida do Brasil, escancarou as portas do clube e reabriu as da seleção brasileira. Uma dose extraordinária de oxigênio para alguém sufocado pela submersão no mundo do futebol. E o que se pediu em troca? Atuações convincentes, mesmo que alternadas por momentos comuns; um comportamento positivo capaz de contagiar o elenco e, principalmente, a condução do time. Quem sabe também um retorno financeiro, através de patrocinadores entusiasmados com o acerto do investimento. E o que se recebeu? Uma e outra exibição de nível contra a esmagadora maioria de tímidas apresentações, quase todas marcadas por uma omissão absurda.
Em nome da excepcional oportunidade, final no meu entender, oferecida pelo Flamengo para a recuperação de uma carreira em vertiginosa decadência, o melhor que o Ronaldinho Gaúcho faria seria ir embora. Traria um grande alívio para o clube que ele pegasse as suas coisas, assessores, familiares e livrasse o Flamengo dessa página mal escrita de sua história. Estancaria a sangria financeira, esportiva e moral estabelecida desde a sua chegada. Sua conduta determinou a saída de um técnico e está prestes a implicar na segunda demissão. Insatisfação na diretoria, na torcida, no elenco e na comissão técnica. Seus privilégios e sua falta de compromisso, sobretudo nos jogos, irritam a todos. Seu futebol, sua liderança, sua imagem não apareceram, enfim, não houve resultado dentro e fora de campo. Só resta um desenlace. A presidente, mais uma vez, se mostra indecisa e inoperante, manietada por interesses políticos, por filigranas eleitoreiras.
Ronaldinho Gaúcho, se quem manda não age, faça-nos esse favor. Tenha um gesto nobre pelo que lhe foi proporcionado e você não aproveitou. O Flamengo não merece isso. Peça licença e saia pela porta da frente ou dos fundos, se preferir. Não precisa se ajoelhar nem pedir perdão. Apenas saia.

MAGIA RUBRO-NEGRA
EQUIPE Magia Rubro Negra
alexandrecpf@magiarubronegra.com.br
TWITTER: @alexandrecpf