Voltar para lista de conteúdos

Quando o juiz vira árbitro

Sábado, 23 de julho de 2011 por Alexandre Fernandes | tag STJD, justiça, regras, futebol

Discordo da ostensiva interferência do STJD no futebol. O poder que aquele tribunal passou a exercer transformou o esporte numa prática diferente do que as regras do jogo estabelecem. Há um árbitro, supostamente soberano em campo, e à medida que algumas de suas decisões são modificadas a posteriori, a feição do que se pratica nos gramados se altera de maneira bastante discutível.

Não vale a pena avaliar outras disputas, em especial a de egos. O que importa, em última análise, é avaliar como, quando e se há contribuição efetiva nas mudanças perpetradas pelos togados. As regras que balizam uma partida de futebol estão claramente descritas e o responsável pela aplicação das mesmas dispõe de uma fração de segundos para interpretá-las e decidir. Isso em meio a um clima muitas vezes hostil e sem a preciosa colaboração da tecnologia. Uma visão perfeita e uns segundos de reflexão têm que identificar, processar a imagem sem edição e concluir pela melhor alternativa.

Da mesma forma que o jogador não tem o direito de repetir uma jogada perdida para, mais aprimoradamente, redefinir o lance com êxito, o árbitro não tem como voltar atrás de sua interpretação. Enquanto isso, no conforto dos seus lares ou escritórios refrigerados, com a parafernália televisiva à disposição, fora do calor das divididas e sem qualquer pressão, a não ser um eventual pendor clubístico, alguém faz outra avaliação. O que não se viu dentro das quatro linhas se vê entre quatro paredes e se muda a bel prazer.

É claro que há um julgamento, com todo o rito processual que se considera necessário. Porém, também há uma condenação prévia, uma execração pública através da repetição exaustiva das imagens sob todos os ângulos. Rotulam-se jogadores pelo seu histórico e/ou seu passado recente, desconsiderando a possibilidade de uma reação corresponder a uma ação, nem sempre focalizada com a mesma ênfase.

Não isento de culpa o Aírton, cujo comportamento hostil já ameaçou a sua carreira no nascedouro. O atleta do Flamengo tem um vício de beligerância incompatível com o esporte, mesmo se dito violento bretão. Mas e o seu antagonista, o Souza, nada fez? Ou teria começado a troca de agressões e virado vítima no fim? Por que ele não foi punido igualmente? Basta ver o tape para confirmar o que afirmo. E o árbitro? Não teria sido ele o maior responsável pelo que ocorreu, com a sua complacência diante da intempestividade dos jogadores desde o início? Se viu, fingiu que não viu ou não viu pouco importa. O que cabe ressaltar é que quinze dias de suspensão não se comparam ao afastamento de um atleta por quatro jogos.

Cá entre nós, se é Supremo Tribunal de Justiça Desportiva, onde está a justiça na bola que entrou e não virou gol, no pênalti claro não marcado, nos impedimentos inexistentes, na falta de fair play do Kleber? Esses lances são repetidos à exaustão nos mesmos meios de comunicação. E todos os jogos, em todas as rodadas, em todos os campeonatos são alvo da mesma avaliação? Algum juiz requisita as imagens de Bambala x Arimatéia? E o terceiro cartão amarelo do Juquinha do Arranca Toco foi forçado como os do R10 e do Thiago Neves? Quem é Juquinha e de onde é o Arranca Toco, deixa para lá.

Finalmente, a que jogo assistiremos hoje em Macaé? Ao Flamengo e Ceará que terminará no último trilar do apito de Sua Senhoria ou à primeira etapa do que vai ser concluído no STJD dias depois? Ao que pagamos nas bilheterias dos estádios e nos pay per views da vida ou ao disputado no dia seguinte nas manchetes de jornais, nas cenas da TV e nos tribunais? Vai haver torcida organizada com bandeiras no STJD? Afinal, se o chip na bola e outras tecnologias não podem ser utilizadas porque não abrangeriam todos os campos do mundo, por que só alguns jogos podem ser alvos do STJD? Você concorda com essa interferência parcial? Você prefere os jogos conduzidos pelo apito do árbitro ou pelo martelo dos juízes? Trata-se de um tema polêmico. Dê a sua opinião.

MAGIA NELES!
EQUIPE Magia Rubro Negra
alexandrecpf@magiarubronegra.com.br
TWITTER: @alexandrecpf



Nenhum comentário - Clique aqui e comente



Postar um novo comentário
Nome

Email (não será divulgado)


Digite os números abaixo para poder enviar seu comentário:


SetaSIGA O MAGIA
SetaCOLUNAS
SetaCATEGORIA
Conheça nossa homenagem ao Zico Conheça a TV Magia Twitter Youtube Flickr Facebook